Então este ano, no festival de música ali em Algés fizeram-me pagar pelo copo para beber cerveja. 1euro pelo copo. Não nos devolvem o dinheiro no final. Tudo pela ecologia, que com copos de plástico descartáveis a coisa era mais poluente.
Depois ofereceram-me uma fita para colocar o telemóvel ao pescoço, um chapéu, e mais uma quantidade de tralha.
No final das contas, estou seguro que o balanço ecológico da coisa é negativo. E do meu bolso lá saiu um euro.
A preguiça é a actividade humana que consome menos calorias, menos recursos, menos energia, e que produz menos lixo.
Enquanto se preguiça, o corpo abranda, relaxa, e está em recuperação, em regeneração.
A preguiça é a actividade humana mais ecológica que existe, e a sua prática ajuda a reduzir a emissão de gases com efeitos de estufa, e assim melhora o planeta.
Um desporto. Um jogo. Uma brincadeira. Séria para uns, que fazem dela a sua vida profissional, e menos séria para outros, que se divertem a jogá-la sem grandes responsabilidades. Mas é sempre um jogo, lúdico e social.
É assim que vejo a modalidade que me apaixonou há muitos anos.
Um jogo colectivo, onde uma equipa interage entre si para atacar o cesto adversário, e para defender o seu próprio cesto. Há quem separe estes dois momentos do jogo, e diga que o ataque ganha jogos, e a defesa ganha campeonatos. A defesa é assim, parece, assumida como um trabalho de fundo menos espectacular que o ataque, mas eficaz na construção de uma equipa vencedora a longo prazo.
Escrevo este texto para tentar mostrar a minha paixão pela defesa, esse aspecto menos “camera friendly” do jogo, mas que a nível individual sempre me agradou. Aquele momento em que vamos defender um jogador que nunca defendemos antes, e todo o processo mental de ir adaptando os nossos gestos e movimentos defensivos à forma de jogar daquele novo adversário, é algo que acho espectacular e que parece ser um jogo de xadrez. O binómio que se cria, entre o atacante a tentar fazer a desfeita ao defesa, e o defesa a tentar negá-lo é belo. E muito desafiante.
Pessoalmente, numa primeira fase desta paixão pela defesa, foi-me ensinado que o esforço individual de defesa reforça o colectivo. Ganha jogos. É um sacrifício importante. Assim o acatei, e treinei para melhorar esse aspecto do jogo.
Mais tarde apaixonei-me por defender, e muitas vezes me senti muito satisfeito, mesmo tendo marcado poucos pontos num jogo, por ter feito o adversário, que em média marcava 30 pontos por jogo, marcar menos uns quantos comigo a defendê-lo.
A defesa prevê a antecipação das acções do adversário, estudar o seu modo de jogar e reagir ao mais pequeno movimento corporal, à menor nesga de olhar. Cortar o passe, roubar a bola, antecipar um bloqueio, tirar a falta atacante, trocar a defesa com eficácia, fazer um dois contra um e ver a defesa a rodar sempre a tapar o buraco, são os gestos que vejo fazer e tento fazer, sempre com um enorme prazer.
Não sei se sou ou sei fui grande defensor, mas quis só partilhar a minha paixão por este aspecto do jogo, muitas vezes descurado, mas que pode ser uma acção individual tão desafiante e estimulante quanto o ataque.
Um ano onde nada será como foi, e tudo o que fizeres será diferente do que fizeste. Um ano onde o tempo jamais voltará para trás, e onde o espaço estará eternamente a mudar. A matéria mutará. Os pássaros perderão penas. Os caminhos serão calcorreados. A perfeição e a pressa bailarão juntas como sempre. O amor superará o ódio.
Há uns tempos, deambulando pela livraria ler devagar, ali debaixo da ponte, vi que no auditório estavam a passar uns vídeos do festival INSHADOW, Lisbon screendance festival.
Gostei do que vi, e procurei pela internet algo para partilhar por aqui.