Raízes

As raízes crescem, diz-se, quando existem as condições necessárias para que isso aconteça.
Solo fértil, água, sol, saúde no geral.
Falo das plantas e vegetais, claro.
Há outro tipo de raízes que cresce em condições longe das ideais. No tumulto, na revolta, na indignação, no ódio, nascem raízes que crescem sem grande sol.
Cabe a cada um escolher quais as raízes que deixa crescer, e as que corta à nascença.

App EDP

A App da EDP actualizou-se, e agora chama-se EDP zero.
Para além do nome catita, o ecrã de entrada tem uma imagem com folhas e plantas verdinhas.
Fiquei com a ideia de que quanto mais energia consumir mais ajudo o ambiente.
Liguei logo o aquecedor no máximo.
Assim ajudo o ambiente, e suo que nem um administrador da EDP em audição parlamentar.

Tudo em harmonia.

O fado dos desconfinados descuidados

Desconfinarei até que a voz me doa
Na praia, e em todo o lado
Como a ave que tão alto voa
E é livre de desconfinar em qualquer fado

Desconfinarei até que a voz me doa
No meu país, na minha terra, com a minha gente
Esqueço a saudade e a tristeza que magoa
Que se oriente o que fica doente

Desconfinarei até que a voz me doa
No calor, na esplanada, no restaurante
Os outros que tenham paciência
Desconfinarei até que a voz me doa

Informação

Hoje em dia todos sabemos inequivocamente que o Facebook, bem como outras redes sociais, são uma fonte de informação para muita gente.
Para alguns, talvez a única.

A informação que por aqui nos mostram é colocada, postada, partilhada, escrita, adicionada e reencaminhada por todos nós, utilizadores.
Claro que existe a trabalhar em cima disto o algoritmo que faz a selecção do que nos será apresentado na timeline, de acordo com critérios que não são transparentes etc. etc. bla bla bla

Mas o importante para esta reflexão é o que acontece antes deste algoritmo trabalhar.
E o que acontece são as nossas interacções com a rede social.
O que escolhemos partilhar.
O que escolhemos fazer like.
etc.
Com essas acções, somos também parte do algoritmo que escolhe o que é importante e o que é secundário, o que é mostrado a todos os outros e o que não é.

Nos tempos que correm, a quantidade de informação que nos vai chegando sobre a pandemia global é gigantesca.
Por isso, por serem tempos importantes e de luta contra uma doença inédita, e por termos o dever de nos informar devidamente e ajudar a informar devidamente os outros, temos de ser criteriosos, filtrar o que é importante, e descartar o supérfluo.

Aos que partilham e repartilham mensagens de ódio, de atribuição de culpas, de “olha para este a ir para a praia quando estamos todos fechados em casa”, tenham a noção que estão a amplificar por aqui informação que, na minha opinião, pouco ajuda a quem precisa de saber o que fazer para ir às compras, o que fazer porque não pode sair de casa e precisa de medicamentos, o que fazer para se entreter e não se sentir triste, o que fazer para utilizar um programa qualquer para fazer uma vídeochamada com a família, como lavar as mãos, etc.
Sem absolutismos é claro, procurem partilhar informação que seja útil, que informe devidamente, que acalme, que tranquilize, que questione informadamente.
Não ajudem a transformar a Internet num amplificador da porcaria, e abafador do que realmente importa.

Vai ficar tudo bem?
Tudo tudo não.

Mas ficará mais, melhor e mais depressa se todos tiverem acesso a informação de qualidade (para dar um exemplo, o vídeo da senhora que espirrou para cima das bananas e supostamente foi presa, será informação de qualidade?).

Exigimos isenção e fontes credíveis aos jornalistas.
Sejamos também informados e isentos nas nossas acções do dia a dia, incluindo, com importância acrescida nos tempos que correm, as nossas acções nas redes sociais.

Bem hajam, e saudinha para todos. Da boa.

PS: Este texto foi escrito, não foi copiado ou repostado.

2019

Um ano onde nada será como foi, e tudo o que fizeres será diferente do que fizeste.
Um ano onde o tempo jamais voltará para trás, e onde o espaço estará eternamente a mudar.
A matéria mutará.
Os pássaros perderão penas.
Os caminhos serão calcorreados.
A perfeição e a pressa bailarão juntas como sempre.
O amor superará o ódio.

E eu?

 

What is it you are searching for?

All of us search. It is part of the fabric of our own existence, to search for something. It can be an object, a feeling or someone. It can even be something that we are not really aware of what it is, but all we know is that we are searching for it.
And, if we are searching for this “something”, we definitely are looking for the cristal clear path that will lead us to that something.
I leave you with this image, of something that someone found, which he wasn’t searching for in the first place.
If we keep our senses aware and our mind open, we might also find something we weren’t looking for in the first place.
Life is chaotic, and in chaos can exist beauty.

políticos e jornalistas

Este post foi escrito depois da tragédia dos incêndios que varreram o país.

Confesso que desde a tragédia de entre-os-rios  que me apercebi que os limites entre o dever de informação e o sensacionalismo são, e continuam a ser, algo de muito estranho e ténue.

Jornalistas e políticos – faz parte do seu trabalho, bem sei – debatem-se por ganhar audiências e popularidade, reportando e colando-se a causas com que a maioria das pessoas/eleitorado se identifiquem.
Fácil.
Se pelo meio conseguirem beneficiar o público/cidadãos, bem melhor.
Se conseguirem audiência baseados num qualquer evento negativo que tenha acontecido, não faz mal.
Podemos até dizer que esta gente anda a praticar o clickbait há séculos.

Dia após dia temos a comunicação social infectada por esta praga da busca pelas audiências e pelo sensacionalismo. Invadem-se vidas privadas, reportam-se fait-divers mascarados de assunto importantíssimo.

Veja-se o caso recente relatado pelo jornal O Público, por exemplo, que reporta que uma funcionária dos pastéis de belém aufere um vencimento, supostamente, muito abaixo do que deveria auferir, já que os Pastéis de Belém proporcionam rendimentos muito elevados (de milhões, se quisermos usar jargão populista e incendiário) aos seus donos. – ver aqui a resposta da empresa em questão.
Para mim, fica a pergunta, então e os Continentes, os Pingos Doces, não pagam salários baixos para os lucros que têm? Eu não sei, mas desafio algum jornalista a fazer uma peça de jornalismo de investigação sobre este tema.

Se eu tivesse este tipo de atitude (falar de factos como verdadeiros sem os comprovar, ou contextualizá-los com malícia) no meu dia-a-dia profissional era capaz de ser despedido.
Se fizesse isso à minha mulher era capaz de levar nas orelhas.
Se fizesse isso aos meus amigos era capaz de ficar mal visto. 

Imaginem agora se fizesse isso na televisão perante um país inteiro.