
Braço de Prata

registo detalhadamente claro e conciso de coisas

Comprei umas luvas em segunda mão.

Sou do tempo
Em que o tempo
Era dos antigos
Agora
O tempo é outro
Eu sou dele
E ele também é o meu

Como lidar com inteligências artificiais – lição #1



Estava aqui a deparar-me, mais uma vez, com o relato de um esquema de burla.
Desta vez alguém consegue fingir estar a ligar a partir do banco MOEY, e com isso gerar confiança suficiente para convencer as pessoas a partilhar os seus dados de acesso ao banco, etc…
Cada vez mais existem esquemas destes, estamos rodeados por tentativas de burla.
Penso ter chegado à estratégia óptima para combater estas tentativas de fraude.
Que é: NÃO FAZER NADA.
Se te ligam do banco ou qualquer serviço ou loja, dizes “obrigado mas não estou interessado”, “não sei”, “estou no banho”, “tenho o jantar ao lume”, “estou em jejum intermitente de fala”, etc. Qualquer coisa.
A ideia é a inacção. Não dizes nada, nem fazes nada.
Não fazer nada, e com isso perder alguma oportunidade de negócio / bloquearem realmente o acesso a algum serviço / etc., tem um risco infinitamente mais pequeno do que o risco de fazermos algo / decidirmos algo / fornecermos dados, e ser uma burla e nos enganarem.
Pela tua segurança, não faças nada.
Por isso, protege-te, e não faças nada!
Such blue skies
Inspire us all
I wish more of that
And less of it all

Hoje o browser “google chrome” pediu que lhe respondesse a algumas questões sobre privacidade.
No meio dos textos explicativos, tinha esta frase:
“Ad topics help sites show you relevant ads while protecting your browsing history and identity.”
Dizem eles que conseguem apresentar anúncios relevantes ao nosso utilizador e historial de navegação, enquanto protegem a nossa privacidade.
Traduzindo para modo “velhinha da aldeia” (modo de pensamento que me ajuda sempre a contextualizar melhor estas coisas da net) seria qualquer coisa como alguém dizer “Olha, sabes, nunca fui à casa da vizinha Joana, mas acho que aquele móvel de sala que ela tem é horrível!”.

“Em princípio lá estarei.”
“Em princípio está combinado.”
“Em princípio vou.”
arrrrrrghhhhhhh
Não acho piada ao uso generalizado que se faz do “em princípio”.
No meu entender esta expressão significa uma espécie de “meio comprometimento”.
Se fores onde disseste que “em princípio” ias, tudo bem.
Se não fores, tinhas dito que “em princípio” ias, logo havia espaço para que não fosses. E está tudo bem.
Só que o problema é que não está.
O “em princípio” é uma espécie de fuga ao comprometimento e à responsabilidade.
Imaginem isto em contexto empresarial:
– Ó João, então o relatório vai estar pronto na sexta-feira, conforme combinámos na última reunião de planeamento?
– Sim chefe, em princípio está.
– Ok, vou então ali à reunião com o CEO e levo essa informação comigo.
…
– Boa tarde sr. Director. Conforme combinámos, para a próxima reunião do comité de direcção o relatório sobre as vendas em princípio estará pronto.
– Óptimo José, então assim em princípio poderemos pagar o bónus aos comerciais.
Não funciona.
Ou num contexto de um casamento:
– Então o sr. noivo aceita a sra. noiva para amar etc. e tal para sempre…?
– Em princípio.
Não funciona.
Porque será que se usa tanto o “em princípio”?
Será medo de falhar, falta de confiança nas capacidades de cada um, e assim com a expressão “em princípio” deixamos sempre em aberto uma almofada de suporte em caso de se falhar?
Será que dizemos “em princípio” deixando sempre a porta meio aberta para se trocar caso algo melhor apareça?
Será que é para, caso surja algum imprevisto que nos impeça de ir, não nos sintamos tão mal em não ir, pois tínhamos dito “em princípio”?
Na realidade, não faço ideia, mas, em princípio, vou continuar a indagar sobre o tema.