Em princípio

“Em princípio lá estarei.”
“Em princípio está combinado.”
“Em princípio vou.”
arrrrrrghhhhhhh
Não acho piada ao uso generalizado que se faz do “em princípio”.

No meu entender esta expressão significa uma espécie de “meio comprometimento”.
Se fores onde disseste que “em princípio” ias, tudo bem.
Se não fores, tinhas dito que “em princípio” ias, logo havia espaço para que não fosses. E está tudo bem.

Só que o problema é que não está.

O “em princípio” é uma espécie de fuga ao comprometimento e à responsabilidade.

Imaginem isto em contexto empresarial:
– Ó João, então o relatório vai estar pronto na sexta-feira, conforme combinámos na última reunião de planeamento?
– Sim chefe, em princípio está.
– Ok, vou então ali à reunião com o CEO e levo essa informação comigo.

– Boa tarde sr. Director. Conforme combinámos, para a próxima reunião do comité de direcção o relatório sobre as vendas em princípio estará pronto.
– Óptimo José, então assim em princípio poderemos pagar o bónus aos comerciais.
Não funciona.

Ou num contexto de um casamento:
– Então o sr. noivo aceita a sra. noiva para amar etc. e tal para sempre…?
– Em princípio.
Não funciona.

Porque será que se usa tanto o “em princípio”?
Será medo de falhar, falta de confiança nas capacidades de cada um, e assim com a expressão “em princípio” deixamos sempre em aberto uma almofada de suporte em caso de se falhar?
Será que dizemos “em princípio” deixando sempre a porta meio aberta para se trocar caso algo melhor apareça?
Será que é para, caso surja algum imprevisto que nos impeça de ir, não nos sintamos tão mal em não ir, pois tínhamos dito “em princípio”?

Na realidade, não faço ideia, mas, em princípio, vou continuar a indagar sobre o tema.

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