A inteligência artificial é uma buzzword que está cada vez mais em discussão na sociedade. Discutem-se cada vez mais as oportunidades e ameaças que a aplicação destas tecnologias nos traz.
A inteligência artificial, num sentido talvez mais filosófico, trata de uma busca automatizada de significâncias dos inputs dados ao sistema, atribuindo uma significância, poderemos mesmo dizer uma simbologia, aos dados que lhe são fornecidos através dos seus métodos.
Essa simbologia, computada e analisada através de algoritmos sofisticadíssimos, correndo em computadores ultra-potentes, é sempre restrita ao universo de dados que o programa (a inteligência) possui para analisar.
Nos micro-versos em que a inteligência artificial actua, a simbologia da informação é uma simbologia relativa. A inteligência vê os dados, a informação, a sua relação entre si, e cria o seu próprio universo simbólico.
É aqui que o ser humano é ainda infinitamente distinto da máquina: na atribuição de significados e de símbolos.
Dependendo do contexto em que nos encontramos, com quem estamos a falar, da nossa relação e historial com essa pessoa (ou com o conjunto de pessoas), o mesmo objecto, gesto, palavra, expressão, movimento, etc., pode ter significados completamente diferentes.
Se dissermos a um amigo de longa data algo como “ó meu grande sacana”, provavelmente a palavra “sacana” será por ele interpretada como algo carinhoso. Se dissermos o mesmo a uma pessoa que acabámos de conhecer, poderemos ter um problema.
Este multi-verso de simbologias, em que o ser humano atribui ao mesmo dado significados múltiplos, ainda está longe de ser atingido pela inteligência artificial.
Com a automatização de tarefas que um algoritmo de inteligência artificial pode aprender a fazer, o ser humano perderá emprego e relevância nesses campos simbólicos – os que a inteligência artificial consegue entender e replicar a sua manipulação.
Talvez seja nos campos simbólicos mais complexos, como as relações humanas ou as áreas criativas, que o ser humano será cada vez mais valorizado.
