políticos e jornalistas

Este post foi escrito depois da tragédia dos incêndios que varreram o país.

Confesso que desde a tragédia de entre-os-rios  que me apercebi que os limites entre o dever de informação e o sensacionalismo são, e continuam a ser, algo de muito estranho e ténue.

Jornalistas e políticos – faz parte do seu trabalho, bem sei – debatem-se por ganhar audiências e popularidade, reportando e colando-se a causas com que a maioria das pessoas/eleitorado se identifiquem.
Fácil.
Se pelo meio conseguirem beneficiar o público/cidadãos, bem melhor.
Se conseguirem audiência baseados num qualquer evento negativo que tenha acontecido, não faz mal.
Podemos até dizer que esta gente anda a praticar o clickbait há séculos.

Dia após dia temos a comunicação social infectada por esta praga da busca pelas audiências e pelo sensacionalismo. Invadem-se vidas privadas, reportam-se fait-divers mascarados de assunto importantíssimo.

Veja-se o caso recente relatado pelo jornal O Público, por exemplo, que reporta que uma funcionária dos pastéis de belém aufere um vencimento, supostamente, muito abaixo do que deveria auferir, já que os Pastéis de Belém proporcionam rendimentos muito elevados (de milhões, se quisermos usar jargão populista e incendiário) aos seus donos. – ver aqui a resposta da empresa em questão.
Para mim, fica a pergunta, então e os Continentes, os Pingos Doces, não pagam salários baixos para os lucros que têm? Eu não sei, mas desafio algum jornalista a fazer uma peça de jornalismo de investigação sobre este tema.

Se eu tivesse este tipo de atitude (falar de factos como verdadeiros sem os comprovar, ou contextualizá-los com malícia) no meu dia-a-dia profissional era capaz de ser despedido.
Se fizesse isso à minha mulher era capaz de levar nas orelhas.
Se fizesse isso aos meus amigos era capaz de ficar mal visto. 

Imaginem agora se fizesse isso na televisão perante um país inteiro.

Podcast

 

O que é um podcast, e como os posso ouvir?

Quem souber responder a esta pergunta, deixe de lêr isto e vá fazer a sua vida para outro sítio.
Quem não souber, carry on.
Os podcasts são programas de rádio. A diferença é que podem ser ouvidos onde e quando quisermos.
Para os ouvir existem programas para o PC e smartphones.
Em média, cada hora de emissão rádio contém entre 12 e 15 minutos de publicidade.
Imagina que podias trocar esse tempo de publicidade por algo útil, interessante, parvo, ou melhor ainda, o que tu quiseres.
Ultimamente tenho utilizado uma app Android (podcast republic). Esta app permite descarregar os podcasts subscritos de forma automática quando estamos ligados a uma rede wireless, o que é ideal para poupar os dados de 4G, normalmente bastante limitados nos tarifários móveis.

Ligado ao sistema de som do carro ou aos headphones, permite-nos ouvir os podcasts “on the go”. Se pararmos um podcast a meio, podes depois facilmente resumir o playback.

Alguns podcasts interessantes:
https://www.stuffyoushouldknow.com/podcasts

https://www.tsf.pt/programa/governo-sombra/emissoes.html

 

Redes sociais

Tenho andado a reparar que as redes sociais (aka Facebook para a maior parte das pessoas) têm uma grande tendência em mostrar mais os posts que contêm conteúdos que sejam polarizadores. Do tipo que ou somos a favor, ou contra, ou gostamos ou não gostamos. Isto é um algoritmo perigoso de ter a actuar sobre a informação que consumimos, pq as opiniões vão-se lentamente, também elas, polarizando. Enquanto cidadãos, temos a responsabilidade de cuidar da qualidade da informação que flui pela sociedade. Ou gostamos é de partilhar factos que geram likes, e se eles são verdade ou não pouco importa? Sabem porque é que a cm tv é o canal mais visto? E o cm o jornal mais comprado? Porque nós não chegamos ao café ou restaurante e pedimos para mudar o canal que está a passar na tv, e porque nós não vamos ao quiosque e compramos outro jornal qualquer.
A culpa não é sempre dos outros.
Muitas vezes é de todos.

E todos, somos nós também.

Ser

O ser que sem ser é

Viaja na estrada do nada

Anda sempre a pé

Tem muita terra calcorreada

Ora devagar ora depressa

Ninguém sabe ao certo para onde vai

Jura a pés juntos não saber

Mas quem acredita em tal ser?

Um dia persegui-o

Quatro noites e um dia

Quando quase o apanhava

Percebi que era ele que me perseguia