
Este post foi escrito depois da tragédia dos incêndios que varreram o país.
Confesso que desde a tragédia de entre-os-rios que me apercebi que os limites entre o dever de informação e o sensacionalismo são, e continuam a ser, algo de muito estranho e ténue.
Jornalistas e políticos – faz parte do seu trabalho, bem sei – debatem-se por ganhar audiências e popularidade, reportando e colando-se a causas com que a maioria das pessoas/eleitorado se identifiquem.
Fácil.
Se pelo meio conseguirem beneficiar o público/cidadãos, bem melhor.
Se conseguirem audiência baseados num qualquer evento negativo que tenha acontecido, não faz mal.
Podemos até dizer que esta gente anda a praticar o clickbait há séculos.
Dia após dia temos a comunicação social infectada por esta praga da busca pelas audiências e pelo sensacionalismo. Invadem-se vidas privadas, reportam-se fait-divers mascarados de assunto importantíssimo.
Veja-se o caso recente relatado pelo jornal O Público, por exemplo, que reporta que uma funcionária dos pastéis de belém aufere um vencimento, supostamente, muito abaixo do que deveria auferir, já que os Pastéis de Belém proporcionam rendimentos muito elevados (de milhões, se quisermos usar jargão populista e incendiário) aos seus donos. – ver aqui a resposta da empresa em questão.
Para mim, fica a pergunta, então e os Continentes, os Pingos Doces, não pagam salários baixos para os lucros que têm? Eu não sei, mas desafio algum jornalista a fazer uma peça de jornalismo de investigação sobre este tema.
Se eu tivesse este tipo de atitude (falar de factos como verdadeiros sem os comprovar, ou contextualizá-los com malícia) no meu dia-a-dia profissional era capaz de ser despedido.
Se fizesse isso à minha mulher era capaz de levar nas orelhas.
Se fizesse isso aos meus amigos era capaz de ficar mal visto.
Imaginem agora se fizesse isso na televisão perante um país inteiro.